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Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Cláudia Andréa Prata Ferreira é Professora Doutora - Categoria: Associado II - do Setor de Língua e Literatura Hebraicas do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ.

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Bíblia Hebraica como Obra Aberta: a Estética como ponte dos diálogos entre o Sagrado e o Humano

Resumo JICTAC/UFRJ-2015

A BÍBLIA HEBRAICA COMO OBRA ABERTA: A ESTÉTICA COMO PONTE DOS DIÁLOGOS ENTRE O SAGRADO E O HUMANO.

Davi Tichiriã Felix de Almeida

Segundo Anne-Marie Pelletier, a Bíblia não foi escrita e inscrita apenas em uma conjuntura histórica que explica seu sentido. Ela também se vê às voltas com a história que, posterior ao texto escrito, constitui a sequência de suas releituras e de sua recepção. Nesse processo de interpretação incide também, de geração em geração, o sentido das Escrituras. Da mesma forma, o trabalho hermenêutico já se percebe, desta vez, na origem das palavras que lemos, nas releituras e revisões dos registros e da experiência que geraram, desde o Primeiro Testamento, o texto bíblico.
A grande oportunidade de nosso momento atual é a de receber da hermenêutica filosófica e da lírica literária importantes contribuições para aclarar tais realidades — estas últimas, aliás, foram sensíveis às gerações antigas de leitores da Bíblia. Assim, na senda dos pensamentos ou práticas contemporâneas como as de H.-G. Gadamer, P. Ricoeur ou R.Alter, a exegese bíblica abre-se a dimensões negligenciadas da história e do sentido. Ali se encontram, no seio de nossa modernidade, as vias de acesso para uma “leitura integral” das Escrituras.
A Bíblia Hebraica é, na prática, uma obra aberta. O conceito de “obra aberta” de Umberto Eco, que designa a obra artística, é aqui empregado para entender como pôde a Bíblia Hebraica sobreviver por séculos, sendo lida e apreciada por milhões de pessoas, não necessariamente judias. Em razão da estrutura poética da linguagem usada em muitas partes dos textos bíblicos, eles são “abertos” e podem ganhar novos significados a cada geração. Ser “aberto” significa admitir muitas possibilidades de significado para o mesmo texto.
Destacamos uma possível “origem” dessa dialógica, a fim de demonstrar que uma “leitura integral” combina de fato a “fé” (o conhecimento sensível, segundo BOAL) e a razão (o conhecimento simbólico), num constante processo de diálogo onde um entendimento entre as partes é, de fato, possível. Deixando em evidência a Bíblia, como fonte artística de intelecção de seu tempo, de seu mundo e do mundo contemporâneo, “extra-bíblico”, a partir de si própria: uma visão de certo subjetiva, mas que se faz concreta (e, portanto, objetiva), como toda obra de arte.
O objetivo deste trabalho é a Bíblia Hebraica (o texto bíblico) como fenômeno estético, focando-se nela como fenômeno criativo, inovador e, sobretudo renovador (CHWARTZ), posto que ao ressignificar-se constantemente, seus contextos, ao serem enxertados em outros, análogos ou não, fazem com que, dentro de seus limites como obra, ela se expanda e se flexibilize, através do papel ativo de seus leitores como intérpretes e re-escritores – os quais fazem dela, portanto, uma obra de arte de engajamento (ADORNO e HORKHEIMER), sob a égide da “regra de fé e de prática”.

Referências bibliográficas
ADORNO, Theodor W. & HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento: Fragmentos Filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.
BOAL, Augusto. Estética do Oprimido. Rio de Janeiro: Garamond, 2001.
CHWARTS, Suzana. Via Maris – Bíblia Hebraica: Textos e Contexto. São Paulo: Humanitas, 2014.
______. Do Estudo Acadêmico da Bíblia Hebraica. In: Revista de Estudos Orientais. Departamento de Letras Orientais. FFLCH: USP. Campinas: Santos e Caprini. Número 6, 2008. p.39-43.
EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: uma introdução. Trad. Waltensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
ECO, Umberto. Obra Aberta. São Paulo: Perspectiva, 2013.
MALANGA, Eliana Branco. A Bíblia Hebraica como obra aberta: uma proposta interdisciplinar para uma semiologia bíblica. São Paulo: Associação Editorial Humanistas: Fapesp, 2005.
PELLETIER, Anne-Marie. Bíblia e Hermenêutica hoje. São Paulo: Loyola, 2006. 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Canons of the Hebrew Bible / Old Testament

Canons of the Hebrew Bible / Old Testament

For a brief introduction to the canon of the Hebrew Bible and three historic canons of the Old Testament.

17 de Tamuz e as Três semanas 5775 / 2015

 17 de Tamuz e as Três semanas
De 05/07 a 26/07/2015

O dia 17 (Shivá Esrei) de Tamuz (em 5775 corresponde a 05/07/2015, domingo) marca o início da destruição de Jerusalém (quebra dos muros da cidade), que culminou com a destruição do Templo em 9 de AV (Tishá BeAv), correspondendo, em 5775, à noite de 25/07/2015, sábado, e 26/07/2015, domingo.

17 de Tamuz é um dia de jejum, devotado a prantear os trágicos eventos que ocorreram nesta data, ao arrependimento e a retificar suas causas. Abstemo-nos de toda comida e bebida desde o “romper do dia” (cerca de uma hora antes do nascer do sol, dependendo da localização) até o anoitecer. Preces especiais e leituras da Torá são acrescentadas aos serviços do dia. 17 de Tamuz também assinala o início das Três Semanas, período de luto que culmina com 9 de Av, marcando a conquista de Jerusalém, e destruição do Templo Sagrado e a dispersão do povo judeu. Casamentos e outros eventos alegres não são realizados durante este período, e diversas atividades agradáveis são limitadas ou proibidas (consulte o Shulchan Aruch ou um rabino sobre as proibições específicas).


Leitura: Em Tishá BeAv (Memorial pela destruição do Templo e de Jerusalém) é realizada a leitura da Meguilat Eichá (Livro de Lamentações).


SASSI, Katia Rejane. Pentateuco feminino: cinco livros proclamados nas festas judaicas. São Leopoldo: CEBI, 2012. p.11-12; 20-21.

O rolo de Lamentações
O rolo das Lamentações, como uma coleção de cinco poemas, retratam o drama vivido pela comunidade judaica por ocasião dos acontecimentos de 587 [a.C.], a ruína de Jerusalém. Nesta estrutura litúrgi­ca, diversas vozes, individuais ou coletivas, falam dos danos causa­dos pela guerra, da desolação de Sião, das angústias da deportação e da confusão do povo (MONLOUBOU[1], p. 203).
Diferentemente dos demais megillot, que apresentam o prota­gonismo e a iniciativa das mulheres, o rolo de Lamentações parece destoar um pouco. No entanto, nos faz repensar esta ideia, fazendo referências ao costume das mulheres de entoar cânticos de triunfo e cânticos de lamento (2Sm 1,20.24; Jr 9,16b-17.19; Ez 32,16). Dentro da tradição oral, pode-se supor que o "entoar cânticos de lamentações era uma tarefa designada às mulheres e desempenhada por ocasião de eventos religiosos e políticos quando o povo de Israel se reunia".
A Bíblia descreve o papel importante que as mulheres desem­penham nas duas extremidades da vida: no nascimento e na morte. Lembramos das parteiras (Ex 1,15) e das carpideiras (Jr 9,16-21). Uma arte que era transmitida de mãe para filha.
Em Lamentações, encontramos metáforas da mulher: "A pri­meira entre as nações está como viúva" (Lm 1,1), "a cidade de Sião perdeu toda a sua beleza" (Lm 1,6) e outras passagens bíblicas. Por trás das imagens da mulher como representante de Judá, do Monte Sião, de Jerusalém, transparece a condição delas na sociedade patriarcal. A realidade da mulher viúva, sem direito à propriedade, piorava ainda mais a situação.

Memorial da destruição de Jerusalém
Bem cedo as lamentações foram associadas às manifestações litúrgicas de luto e penitência instituídas por Israel para comemorar o incêndio e a destruição de Jerusalém, no quinto mês do calendário is­raelita (2Rs 25,8), por Nabucodonosor e suas tropas. Há provas de que a lamentação no local do templo destruído começou pouco depois da destruição da cidade (Jr 41,5-6) e que dias de jejum anuais, come­morando a queda da cidade eram observados durante todo exílio e pelo menos até a reconstrução do templo (Zc 7,1-7; 8,19).
A liturgia sinagogal as retoma sempre no nono dia do mês de Ab [Av] (julho-agosto), acrescentando a comemoração do incêndio do templo pelos romanos em 70 d.C. Em Jerusalém, elas são comemoradas à noite, durante uma longa vigília de oração diante do muro, úni­co vestígio do segundo templo (MONLOUBOU, p. 210-211).
O dia do Memorial da Destruição de Jerusalém é um dia de luto marcado por um jejum rigoroso. Neste dia, não se estuda a Tora, mas é dada mais importância à leitura do rolo das Lamentações. Ao fazer memória da destruição do templo, o povo lembra a ausência e o aban­dono de Deus. O povo reconhece seu pecado e percebe que essas ca­lamidades se devem à sua infidelidade (Mq 3,12). Este é o sentido desta festa. Relembrar esta ausência, em oração, é reconhecer, ao mesmo tempo, que Deus é presença. O sofrimento e o luto são passagem obrigatória para um dia ter acesso à alegria da presença.



[1] MONLOUBOU, L. Os Salmos e outros escritos. São Paulo: Paulus, 1996.

Veja mais:

sábado, 4 de julho de 2015

Panorámica de los estudios rabínicos en la actualidad

MEAH, sección Hebreo 58 (2009), 213-235
Gunter Stemberger, Panorámica de los estudios rabínicos en la actualidad 

Resumen: Esta panorámica ofrece una presentación rápida de los principales problemas de la investigación en el campo de la literatura rabínica, tales como el estado social de los rabinos palestinenses y la necesidad de una lectura documentaria de sus obras. ¿De qué tipo de redacción podemos hablar, cuál es el papel de los redactores y cómo usan las fuentes previas? ¿Se puede hablar de la redacción final de una obra y de diferentes autores? ¿Qué estabilidad tiene su transmisión manuscrita (contra la tesis generalizada de copistas creadores)? Se dedica además un apéndice a las principales contribuciones de los investigadores españoles en el campo de la literatura rabínica.

Palabras clave: Literatura rabínica, Misná, Tosefta, Talmud, Midrás, redacción, transmisión manuscrita.